Diagnósticos

A melhor defesa contra o câncer é muitas vezes reconhecer os sintomas precocemente e detectar a doença antes que ela possa progredir.

Veja abaixo as formas de diagnosticar os diferentes tipos de câncer.

Boca

O recomendado é realizar o autoexame, após a higiene bucal em frente ao espelho, com a língua para fora, passando o dedo indicador nas bochechas, língua, gengiva e lábios. Em casos de lesões que permanecem sem cicatrização durante até 15 dias, deve-se procurar um médico ou dentista para a realização do exame completo da boca.

Esses profissionais podem verificar a boca e procurar por lesões esbranquiçadas ou avermelhadas. Caso uma lesão seja encontrada, a biópsia é a maneira segura de diagnosticar o câncer. Alguns testes e exames ajudam o profissional de saúde a descobrir se o câncer se espalhou.

Colo de útero

As lesões que antecedem o aparecimento do câncer de colo do útero, chamadas de precursoras, podem ser detectadas através do exame preventivo (Papanicolau). Esta fase inicial da doença é assintomática e as chances de cura são de 100%.

Toda mulher que tem ou já teve vida sexual e com idade entre 25 e 64 anos deve fazer o exame de Papanicolau. Os dois primeiros devem ser realizados anualmente. Caso os resultados sejam negativos, os demais podem ser feitos a cada três anos se os resultados estiverem normais.

O exame de Papanicolau pode ser feito em postos ou unidades de saúde da rede pública e sua realização periódica permite reduzir a mortalidade pela doença. Ele é indolor, simples e rápido.

Como é feito o exame
• Para a coleta do material, é introduzido um instrumento chamado espéculo na vagina (conhecido popularmente como “bico de pato”, devido ao seu formato).
• O profissional faz a inspeção visual do interior da vagina e do colo do útero.
• Na sequência, o profissional retira o material necessário para o exame na superfície externa e interna do colo do útero com uma espátula de madeira e uma escovinha.
• As células colhidas são colocadas numa lâmina para análise em laboratório especializado em citopatologia.

Colorretal

Existem dois exames capazes de detectar precocemente esses tumores: pesquisa de sangue oculto nas fezes e colonoscopia (exame de imagem que vê o intestino por dentro). O primeiro deve ser realizado anualmente por pessoas com mais de 50 anos. A colonoscopia é recomendada caso o resultado da pesquisa de sangue oculto nas fezes seja positivo.

O diagnóstico requer biópsia (exame de fragmento de tecido retirado da lesão suspeita), por meio de aparelho introduzido pelo reto (endoscópio).

Esôfago

Pessoas que sofrem de acalasia, tilose, refluxo gastroesofágico, síndrome de Plummer-Vinson e esôfago de Barrett têm mais chances de desenvolver o tumor. Por isso, devem procurar o médico regularmente para a realização de exames.

A detecção precoce é muito importante, já que a doença é bastante agressiva, devido ao esôfago não possuir membrana serosa. Com isso, há infiltração das células cancerosas nas estruturas vizinhas ao órgão, disseminação para os gânglios linfáticos e metástases (surgimento da doença em órgãos distantes) com grande frequência.

O diagnóstico é feito através da endoscopia digestiva (exame de imagem que investiga o interior do tubo digestivo), de estudos citológicos (das células) e de métodos com colorações especiais. Com o diagnóstico precoce, as chances de cura atingem 98%. Na presença de disfagia (dificuldade de engolir) para alimentos sólidos, é recomendado estudo radiológico contrastado e também endoscopia com biópsia ou citologia para confirmação.

Estômago

Dois exames são capazes de diagnosticar o câncer de estômago: endoscopia digestiva alta e exame radiológico contrastado do estômago.

A endoscopia digestiva alta é o método mais eficiente, permite a visualização da lesão, a realização de biópsias e a avaliação da doença. Um tubo flexível de fibra ótica ou uma microcâmera é introduzido pela boca e conduzido até o estômago. O paciente é sedado e tem a garganta anestesiada para diminuir o desconforto.

Na radiografia contrastada do estômago, através de raios-x, o médico procura por áreas anormais no interior do esôfago e estômago.

 
Leucemia

A primeira análise pode ser feita a partir do exame de sangue, mas o diagnóstico é confirmado no exame da medula óssea (mielograma). Nesse exame, é retirado menos de um mililitro do material esponjoso de dentro do osso. Depois, as células ali encontradas são examinadas.

Mama

O Ministério da Saúde recomenda exame clínico anual e mamografia, em caso de resultado alterado do exame, para mulheres de 40 a 49 anos e, para as de 50 a 69 anos, mamografia a cada dois anos e exame clínico uma vez por ano. Já a Sociedade Brasileira de Mastologia orienta que a mamografia deve ser feita anualmente a partir dos 40 anos.

Além desses grupos, o Ministério da Saúde indica o acompanhamento de mulheres com risco elevado, cuja rotina deve começar aos 35 anos. O risco elevado inclui história familiar de câncer de mama em parente de primeiro grau antes dos 50 anos, de câncer bilateral ou de ovário em qualquer idade; e história familiar de câncer de mama masculino, entre outros sinais.

Identificado em estágios iniciais, o câncer de mama tem percentual de cura elevado. É importante que a mulher fique atenta aos sinais e sintomas e procure esclarecimento médico sempre que houver dúvida.

O Instituto Nacional de Câncer (Inca) não estimula o autoexame das mamas como método isolado de detecção precoce desse tipo de câncer. O exame das mamas feito pela própria mulher faz parte de uma ação de educação de conhecimento do próprio corpo. No entanto, ele não substitui o exame físico realizado por profissional de saúde qualificado para esse procedimento.

Pele

Câncer de pele não melanoma – Há dois tipos: o carcinoma basocelular, uma lesão maligna com origem na camada mais profunda da epiderme (parte exterior da pele) que constitui 70% dos casos e é o tipo menos agressivo (praticamente inexiste possibilidade de disseminação à distância); e o carcinoma epidermoide, que surge nas regiões expostas ao sol, e é mais perigoso do que o basocelular.

O carcinoma basocelular é diagnosticado através de uma ferida ou nódulo, e se desenvolve lentamente. Já o carcinoma epidermoide surge com uma ferida que evolui rapidamente, apresentando secreção e coceira. A maior gravidade dele é porque pode se espalhar para outros órgãos.

Câncer de pele melanoma – Lesões que variam do castanho-claro passando por várias tonalidades até chegar à cor negra. Pode ainda apresentar área com despigmentação. Os sinais crescem e se alteram de forma progressiva no sentido horizontal ou vertical. Em alguns casos, podem se formar nódulos visíveis e palpáveis.

Prostáta

Homens a partir dos 50 anos devem procurar um médico para exames de rotina. Quem tem histórico familiar da doença deve informar.

O toque retal é o teste mais utilizado, apesar de somente a porção posterior e lateral da próstata poder ser apalpada. É recomendável fazer a análise do nível de PSA, a partir de um exame de sangue, que pode identificar aumento de proteína produzida pela próstata, o que seria indício da doença. Para o diagnóstico preciso, é necessário analisar parte do tecido da glândula com biópsia.

Pulmão

O raio-X de tórax é um dos meios para diagnosticar o câncer de pulmão. O exame deve ser complementado pela tomografia computadorizada. A endoscopia respiratória deve ser realizada para avaliar a necessidade de biópsia. Após a confirmação da doença, deve ser avaliado o estágio de evolução, verificando se ela está restrita ao pulmão ou disseminada por outros órgãos.

 
Tireoide

Hoje em dia, o maior acesso a exames de imagem permite que sejam feitos mais diagnósticos de nódulos tireoidianos, cuja positividade para o diagnóstico de câncer deverá sempre ser confirmada pela biópsia.

 

Fontes: consultores médicos da Fundação do Câncer e Instituto Nacional de Câncer (Inca).
As informações apresentadas não substituem a orientação e avaliação personalizada do profissional de saúde de sua confiança – médico ou dentista.

Serviços de Diagnósticos

À medida que os pesquisadores aprendem mais sobre a doença, novas ferramentas de diagnóstico são desenvolvidas e os métodos existentes melhorados. Se o seu médico suspeitar de câncer, ele solicitará exames para fazer um diagnóstico.

Conhecer o tipo exato de câncer do paciente permite que os oncologistas escolham o tratamento mais eficaz.