CÂNCER DA CAVIDADE ORAL

Como não há norma ou padronização nas literaturas nacional e internacional sobre quais estruturas anatômicas compõem a sua definição, foram consideradas como neoplasias malignas de lábio e cavidade oral aquelas que tenham como localização primária os lábios, a cavidade oral, as glândulas salivares e a orofaringe (C00-C10), segundo a CID 10. Segundo as informações do Globocan/Iarc, em 2012, foram estimados 300.373 casos novos de cânceres de lábio e cavidade oral (C00-C08) em nível mundial.

Essa estimativa excluiu os cânceres de amígdala e de orofaringe (C09-C10) e ocupa a 15a posição entre todos os cânceres, sendo que, destes, mais da metade estão entre os homens (198.975 casos novos). Já para a mortalidade, essa localização foi responsável por 145.353 óbitos no mundo, em 2012. Esse valor corresponde a um risco estimado de 2,1 óbitos para cada 100 mil habitantes, representando um problema de saúde pública global.

No Brasil, ocorreram, em 2015, 4.672 óbitos por câncer de cavidade oral em homens e 1.226 em mulheres. A etiologia do câncer da cavidade oral é multifatorial, sendo os fatores de risco mais conhecidos o tabaco e o consumo excessivo de álcool. A exposição excessiva à radiação solar ultravioleta, sem a devida proteção ao longo dos anos, pode representar um possível fator de risco para o câncer de lábio.

Outros fatores, como a infecção pelo HPV, dieta pobre em frutas e vegetais, e má higiene bucal, vêm sendo estudados com o intuito de investigar sua implicação na carcinogênese, principalmente, do câncer de língua e na garganta. Nos estágios iniciais dos tumores que se localizam nessa região anatômica, geralmente, os pacientes são assintomáticos, podendo disfarçar as condições benignas comuns da boca.

Diante disso, no Brasil, as “Diretrizes para Organização da Saúde Bucal no SUS” foram publicadas em 2004, instituindo o Programa Brasil Sorridente e a implantação dos Centros de Especialidades Odontológicas (CEO), o que promoveu a reorganização da prática e a qualificação das ações e dos serviços oferecidos, com ampliação do acesso ao tratamento odontológico e a oferta de serviços de atenção especializada, entre eles os serviços de diagnóstico bucal, com ênfase no diagnóstico e na detecção do câncer de boca.

A reorganização da atenção básica por meio da inclusão das equipes de saúde bucal na Estratégia Saúde da Família representou um avanço na oferta de serviços odontológicos no SUS, entre 2002 e 2015, com um aumento expressivo da cobertura de saúde bucal em todas as Regiões do país. No entanto, para que esses objetivos sejam alcançados, é necessário um efetivo planejamento das ações de prevenção, diagnóstico e tratamento, baseado em informações atualizadas e no monitoramento contínuo de todas essas etapas.

Fonte: Estimativa | 2018 – Incidência de Câncer no Brasil.
Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva (INCA)

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