CÂNCER DE PULMÃO

O tabagismo é a principal causa de câncer de pulmão, sendo responsável por, aproximadamente, sete milhões de mortes anuais no mundo, incluindo o câncer. A incidência de casos novos de câncer de pulmão, segundo a última estimativa mundial, foi de 1,8 milhão, representando 12,9% de todos os novos casos de câncer, e 1,6 milhão de óbitos (19,4%) para o ano de 2012. O padrão da ocorrência desse tipo de neoplasia, em geral, reflete o consumo de cigarros da sua Região.

Na maioria das populações, os casos de câncer de pulmão tabaco-relacionados representam aproximadamente 85% dos casos desse câncer. As mais altas taxas de incidência são observadas na Europa e na Ásia Oriental. No Brasil, ocorreram, em 2015, 15.514 óbitos por câncer de pulmão em homens e 10.978 em mulheres. Em uma visão geral, o câncer de pulmão é classificado em dois grupos: os carcinomas de células pequenas (oat-cell carcinomas) e os carcinomas de células não pequenas (non oat-cell carcinomas). Dentro desse segundo grupo, estão incluídos o adenocarcinoma, o carcinoma de células escamosas e o carcinoma de grandes células. Nos últimos anos, o diagnóstico tem sido realizado cada vez mais com base molecular, evidenciando em estudos específicos as diferentes famílias de genes e o evento mutagênico envolvido, assim caracterizando cada tipo histológico com suas alterações moleculares peculiares.

O câncer de pulmão é um dos tipos de câncer mais agressivos, possuindo uma razão M/I de, aproximadamente, 0,87. Em razão da sua alta letalidade, o perfil geográfico da incidência pode ser observado pela mortalidade, principalmente em lugares onde não existe informação de casos novos (incidência). A sobrevida em cinco anos é baixa na maioria das populações do mundo, em média de 10% a 15%. Isso porque, em geral, esse tipo de câncer é detectado em estágios avançados, uma vez que não são observados sintomas em seus estágios iniciais. Somente três países possuíram sobrevida acima de 20% para pacientes diagnosticados entre o período de 2005 a 2009, são eles: Japão (30%); Israel (24%); e República de Maurício (37%).

O Brasil tem prejuízo anual de R$ 56,9 bilhões com o tabagismo. Desse total, R$ 39,4 bilhões são gastos com despesas médicas e R$ 17,5 bilhões com custos indiretos ligados à perda de produtividade, causada por incapacitação de trabalhadores ou morte prematura. O controle do tabaco permanece como sendo a principal forma de redução da ocorrência desse tipo de neoplasia.

O Programa Nacional de Controle do Tabagismo do Brasil é considerado modelo para o controle dos cânceres relacionados ao tabaco, como o de pulmão. O Programa visa à prevenção de doenças na população por meio de medidas que estimulam a adoção de comportamentos e estilo de vida saudáveis, contribuindo assim para a redução da incidência e mortalidade dos cânceres tabaco-relacionados.

Foi criada também a Comissão Nacional para a Implementação da Convenção-Quadro, que é o espaço legítimo para a governança da Política. Com ela, as estratégias do ambiente livre do tabaco, proibição de propaganda, além das imagens de alerta nos maços dos cigarros, trouxeram uma redução do uso e iniciação ao tabagismo. A comprovação da eficácia do programa só poderá ser observada com maior ênfase nas próximas décadas. Entretanto, já é possível observar uma tendência à redução da incidência e da mortalidade por câncer relacionado ao tabaco, principalmente o de pulmão no Brasil.

Fonte: Estimativa | 2018 – Incidência de Câncer no Brasil.
Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva (INCA)

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