CÂNCER DO CORPO DO ÚTERO

O câncer do corpo do útero constitui o sexto câncer mais comum na população feminina, com uma estimativa mundial de 320 mil casos novos em 2012, correspondendo a 4,8% dos tumores femininos e 2,3 % dos cânceres em geral. Estimaram-se, no mundo, 76 mil óbitos em mulheres com câncer endometrial em 2012, o que representa 2,1% das mortes por câncer em mulheres.

O carcinoma endometrial é um tumor epitelial maligno, que exibe diferenciação glandular, sendo, portanto, o adenocarcinoma seu principal tipo histológico (mais de 80% dos casos) e está associado ao uso de estrogênio. Esse hormônio desempenha um papel importante na etiologia dessa doença. Os tumores do Tipo I são de baixo grau de malignidade e estão relacionados ao estrogênio; os do Tipo II não estão associados ao estrogênio, e são os adenocarcinomas de células não serosas e não claras que apresentam maior taxa de mortalidade.

Analisando a distribuição desse câncer nas Regiões do globo, as taxas de incidência são de 14,7/100 mil nas Regiões mais desenvolvidas e de 5,5/100 mil nas menos desenvolvidas. A taxa de mortalidade apresentada foi de 2,3/100 mil nas Regiões mais desenvolvidas e 1,5/100 mil nas com menor nível de desenvolvimento. As maiores taxas de incidência de câncer do corpo do útero foram estimadas para a América do Norte (19,1/100 mil) e para o Norte da Europa Ocidental (12,9-15,6/100 mil); enquanto, no Sul da Ásia Central (2,7/100 mil) e na maior parte da África (menos de 5/100 mil), apresentam as taxas mais baixas. As taxas de mortalidade apresentam variação menor, de 0,9/100 mil na África do Norte a 3,8/100 mil na Malásia.

Em 2015, no Brasil, ocorreram 1.454 óbitos por câncer do corpo do útero. As taxas de incidência variam de 20 a 30 vezes entre os países; e cerca de dois terços dos novos casos estimados ocorrem em países com níveis altos de desenvolvimento humano. Nos Estados Unidos, a sobrevida em cinco anos e mais é de 84% em mulheres brancas, cujo diagnóstico é realizado em estágio inicial, e 62% em mulheres negras que possuem menor sobrevida independente do estágio da doença ao diagnóstico. No Canadá, o câncer de endométrio aumentou em 2,3% ao ano, de 2005 a 2013, o que pode estar associado ao uso de estrogênio para TRH. Além de predisposição genética, dos fatores de risco associados ao câncer do corpo do útero, o principal é a obesidade.

Outros fatores associados são sobrepeso; diabetes mellitus; hiperplasia endometrial; anovulação (deixar de ovular) crônica; uso de radiação anterior por efeito do tratamento de tumores de ovário; uso de estrogênio para reposição hormonal; menarca (momento em que a mulher começa a menstruar) precoce; menopausa (quando a mulher deixa de menstruar) tardia; nuliparidade (nunca engravidou ou nunca teve filhos); síndrome do ovário policístico; e síndrome de Lynch.

O câncer do corpo uterino é comum em mulheres com síndrome de Lynch; ou seja, uma síndrome de câncer de cólon hereditário não poliposo, um defeito no reparo de falta de ácido desoxirribonucleico (ADN ou DNA, do inglês deoxyribonucleic acid) que também está associado aos cânceres de mama e de ovário. O risco de desenvolvimento de câncer do corpo do útero aumenta em mulheres com mais de 50 anos. Alguns fatores são considerados de proteção para o câncer endometrial, como o uso de progesterona; gravidez; e prática de atividade física regular.

Fonte: Estimativa | 2018 – Incidência de Câncer no Brasil.
Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva (INCA)

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