CÂNCER DO SISTEMA NERVOSO CENTRAL

O cérebro e a medula espinhal formam o SNC. Seus tumores devem-se ao crescimento de células anormais nos tecidos nessas localizações, sendo compostos pelas topografias C70 (meninges) até C72 (medula espinhal e outras partes do SNC), segundo a CID 10. O câncer do SNC representa 1,8% de todos tumores malignos no mundo.

Em termos de incidência, o câncer do SNC é o 13o tipo mais frequente em homens, com o risco estimado de 3,9/100 mil, e ocupa a 15a posição entre as mulheres, com o risco estimado de 3,0/100 mil. As maiores taxas de incidência encontram-se nos países europeus. Apesar de esse tipo de tumor ser relativamente raro, contribui de forma significativa para a mortalidade no mundo inteiro, principalmente quando se verifica em faixa etárias mais jovens.

No Brasil, no grupo etário de 0 a 14 anos, observam-se os tumores do SNC já representando a segunda posição (16% de todos os tumores nessa faixa). No Brasil, ocorreram, em 2015, 4.718 óbitos por câncer do SNC em homens e 4.315 óbitos em mulheres. A incidência e a mortalidade de câncer do SNC vêm aumentando durante os últimos anos, e parte desse aumento se deve à melhoria da tecnologia, principalmente no que tange a exames menos invasivos, que consequentemente facilita a detecção desse tipo de tumor. Alguns exemplos são: tomografia computadorizada, ressonância magnética e tomografia por emissão de pósitrons (PET Scan).

A melhoria do diagnóstico de câncer do SNC pode ser percebida pela aproximação das taxas de mortalidade brutas e ajustadas nos últimos anos no Brasil. A maior parte dos tumores do SNC se origina no cérebro, nervos cranianos e meninges. Os gliomas são o tipo histológico mais frequente e representam cerca de 40% a 60% de todos os tumores primários do SNC, sendo mais comuns na faixa etária adulta. Em geral, esses tumores são cirurgicamente incuráveis, além de possuírem resistência à radiação e à quimioterapia. Outros tipos histológicos de câncer do SNC são os meningiomas, representando entre 20% e 35% dos casos; e os neurilemomas (5%-10%). Existem ainda tipos histológicos mais raros, como os adenomas pituitários, meduloblastomas e tumores da medula espinhal e nervos periféricos.

A incidência dos tumores do SNC é ligeiramente mais alta no sexo masculino em comparação ao sexo feminino. A razão de masculinidade para os gliomas é de aproximadamente 1,3. Quanto maior o nível socioeconômico, maiores são as taxas de incidência nesse tipo de tumor, fator este que provavelmente contribui para maior número de realização de tecnologias diagnósticas. Esse motivo talvez explique a diferença observada entre os países desenvolvidos e em desenvolvimento.

As causas do aparecimento de tumores do SNC ainda são pouco conhecidas, tendo apenas alguns fatores como reconhecidos, como a irradiação terapêutica. Entretanto, como a ocorrência nesses casos é rara, a associação mais forte é mais encontrada para o desenvolvimento dos meningiomas e neurilemomas do que para os gliomas. Traumas físicos na região da cabeça e traumas acústicos (casos de trabalhadores expostos a alto nível de som) também são considerados possíveis fatores de risco para o desenvolvimento de meningioma e neurilemoma acústico, respectivamente. Algumas ocupações também são consideradas como possíveis fatores de risco para desenvolvimento de câncer do SNC, como trabalhadores da indústria petroquímica, lavradores, embalsamadores, entre outros. Alguns estudos sugerem que radiação gerada por radiofrequência, telefonia móvel e telecomunicação possa estar associada à etiologia dos gliomas, porém esse assunto permanece inconclusivo.

Fonte: Estimativa | 2018 – Incidência de Câncer no Brasil.
Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva (INCA)

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